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Por Milene de Bon
5 de ago. de 2026
Pamela Karow: "Busco compreender a atuação do Ateliê Caetano e Irmãos em diferentes municípios do estado e sua contribuição para a produção artística do século XIX." Confira a entrevista sobre o resgate desse importante capítulo da arte sacra gaúcha.
A conservadora e restauradora de bens culturais móveis, Pamela Karow dos Santos, está mapeando a presença e o impacto do Ateliê Caetano e Irmãos no patrimônio religioso do Rio Grande do Sul. O foco principal da investigação documental e artística são as imagens sacras de igrejas do município de Rio Grande, como a Catedral de São Pedro, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e o Museu de Arte Sacra.
Pamela é graduada, mestra e, atualmente, doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), onde atua na linha de pesquisa Patrimônio, Espaço e Território.

Confira a entrevista sobre o resgate desse importante capítulo da arte sacra gaúcha do século XIX:
Como surgiu o seu interesse pelo patrimônio religioso?
Pamela Karow: Meu interesse pela arte sacra teve início na graduação em Conservação e Restauração na UFPel. Na época, atuei na conservação de uma escultura processional da Catedral Metropolitana de Pelotas. Essa experiência despertou minha atenção para a história material das obras e seus processos de produção. No mestrado, direcionei meus estudos para a produção artística sacra no Rio Grande do Sul, desenvolvendo análises comparativas para atribuição de autoria de esculturas religiosas.
Qual é o objetivo central do seu trabalho atual em Rio Grande?
Pamela: A linha de investigação se ampliou no doutorado. Busco compreender a atuação do Ateliê Caetano e Irmãos em diferentes municípios do estado e sua contribuição para a produção artística do século XIX. Para isso, articulo pesquisa documental, história da arte técnica e restauração para identificar e valorizar o patrimônio cultural sul-rio-grandense. O ateliê teve um papel importante na formação da paisagem cultural da região, mas ainda permanece pouco conhecido pela historiografia.
O que as investigações já revelaram sobre o Ateliê Caetano e Irmãos?
Pamela: Descobrimos que o espaço era formado pelos irmãos Caetano José Ribeiro Júnior, Serafim José Ribeiro e Plácido José Ribeiro. Eles estabeleceram a oficina em 1854, na cidade do Rio Grande, na Rua do Pito, nº 51. Conforme jornais da época, os artistas executavam esculturas sacras para igrejas e irmandades religiosas. Eles atenderam a encomendas destinadas à Catedral de São Pedro, à Igreja de Nossa Senhora da Conceição e à Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
Como a sua pesquisa se conecta com a formação de novos profissionais na UFPel?
Pamela: Esta pesquisa dialoga diretamente com a graduação na UFPel. Nós vinculamos as investigações documentais a projetos da disciplina de Conservação e Restauração de Esculturas. Isso oportuniza a participação de estudantes no levantamento e análise de fontes históricas. Essa aproximação fortalece a formação acadêmica dos alunos, que vivenciam a metodologia de pesquisa na prática.
De que forma esse mapeamento ajuda a proteger as obras de arte?
Pamela: O reconhecimento da autoria, das técnicas empregadas e do contexto de produção oferece novos subsídios para a preservação. Esse entendimento fortalece as ações práticas de conservação e restauração, além de ampliar a compreensão sobre o valor histórico desses bens. Ao investigar o ateliê, busco valorizar a história da arte produzida no sul do Brasil. Tornar visível o trabalho desses artistas significa reconhecer a riqueza do nosso patrimônio e garantir sua preservação para as futuras gerações.

Pamela Karow dos Santos é graduada em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel, 2023). Possui experiência em projetos de extensão voltados à conservação, restauração e salvaguarda de esculturas policromadas do patrimônio religioso. É mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural da UFPel (2026), onde atuou na linha de "Instituições de memória e gestão de acervos", desenvolvendo estudos atributivos de esculturas em madeira policromada. Atualmente, é doutoranda no mesmo programa, vinculada à linha de pesquisa "Patrimônio, Espaço e Território".